quarta-feira, 4 de julho de 2012

Despedida estranha

Acredito que, para quem está realmente presente, um relacionamento não traz grandes surpresas - exceto as catástrofes acima de qualquer imaginação ou coisa que o valha. A gente pode até não gostar do desenrolar dos fatos, mas ser surpreendido por eles é muito difícil.
Não acredito em "mas estava tudo bem, como isto foi acontecer?" ou "cheguei a pensar que era o fim e, de uma hora para a outra, ele mudou". Desculpe, mas não acredito.

Você não suspira a cada lembrança e passa o dia trocando mensagens doces e apimentadas para acordar amanhã pensando em partir. E também não fica três meses dormindo na mesma cama sem fazer sexo, dormindo de bundinha ou até evitando deitar no mesmo horário, se anda tudo as mil maravilhas. Se você está presente dentro da sua relação, você, melhor que ninguém, sabe em que estado ela se encontra.


Não, as relações não são todas iguais. Tem gente que é movido a paixão, como eu. E tem gente que se sente mais confortável com a rotina, confia no tempo. Tem gente que dá tudo por um instante mágico em que os feijões são lançados ao solo e um mundo encantado surge acima das nuvens. E tem gente que dá tudo pelo prazer de olhar para traz e ver o quanto aquela semente cresceu, o quanto são fortes as raízes e frondozos os galhos. Toda essa gente ama, cada uma a seu modo.


Vivemos os tempos de hoje, com suas vantagens e desvantagens, quer gostemos ou não. E acho mesmo uma pena que as pessoas e os sentimentos tenham se tornado tão consumíveis e descartáveis quanto os objetos. Mas confesso um alívio em me saber livre (espero que também consciente) para não permanecer onde não há amor, entrega, presença, vida. "Onde não houver amor, não se demore", disse alguém com quem concordo.

(Publicado em eufalocomestranhos em 04 jul 2012)

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