quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Nos tempos da marotagem lenta

Hoje em dia, quem está solteiro sabe, parece que o negócio vai de rosca.

É que tem tanta opção...
E não falo só de pessoas interessantes disponíveis não. Falo das viagens, dos amigos, dos livros, das músicas, das festas, das comidas, das conversas e tudo mais que a maturidade nos leva a valorizar. É tanta coisa pra se ver numa vida só, que dá até peninha de fechar seu mundo num clima "my love, there´s only you in my life...".

Então parece que todo mundo anda por aí num esquema moonwalking: olha pra frente e escorrega pra trás.

Garante uns dois ou três rolinhos que é pra não se envolver de verdade com ninguém.
E tenta manter dois ou três dias de intervalo entre os contatos que é pra não se envolver de verdade com ninguém.
E vai pra cama o mais rápido possível pra ver se o corpo amortece logo o impacto que é sentir o peito. Isso também, claro, pra não se envolver de verdade com ninguém.
E joga no ar o tipo "sou independente", que é pro outro não pensar de maneira alguma que o encantador ser ali parado a sua frente está disponível. E, assim, todo mundo se protege do envolvimento verdadeiro com alguém.
E vai seguindo essa cartilha que dá preguiça de observar, de lembrar e, especialmente, de listar aqui.

Daí hoje, fofocando com um brother super querido, enfiei:
- E aí? Está namorando aquela menina do seu aniversário?
- Bem, estou me aproximando.
Adorei o verbo.

É isso! Está todo mundo se aproximando. E ninguém chega a lugar nenhum.

Foi um ano de separações e rupturas. De alguma forma, como resultado, foi um ano de muito crescimento individual.
Assim, me parece que criamos massas pesadas o suficiente para manter um tanto de coisa a nossa órbita. (E valem a pena todos os nossos satélites?)
Ficamos também a girar em outros círculos, atraídos. (Ficamos tontos?)
Translação e rotação, translação e rotação. É cada um no seu equilíbrio, e, ainda que desejemos parecer planetas independentes, em sistema, procuramos o impulso externo.

Acontece que hora ou outra há de chegar o impacto. Um astro cai do céu, altera o curso. E toda uma nova era se inicia.

Acontece que hora ou outra há de existir o impacto. Nova rota. E os corpos vão se separando pelo universo em expansão.

Pelo fim da inércia!
Se quer se aproximar, chega e queima a estratosfera.
Se quer ir, brilha anos-luz daqui.

(Publicado em eufalocomestranhos, dia 25.11.10)

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